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Ribeirão Preto anuncia nova unidade para receber pacientes após suspensão de atendimentos de emergência na Beneficência

Ribeirão Preto anuncia nova unidade para receber pacientes O prefeito de Ribeirão Preto (SP), Ricardo Silva (PSD), anunciou na manhã desta quinta-feira (29) ...

Ribeirão Preto anuncia nova unidade para receber pacientes após suspensão de atendimentos de emergência na Beneficência
Ribeirão Preto anuncia nova unidade para receber pacientes após suspensão de atendimentos de emergência na Beneficência (Foto: Reprodução)

Ribeirão Preto anuncia nova unidade para receber pacientes O prefeito de Ribeirão Preto (SP), Ricardo Silva (PSD), anunciou na manhã desta quinta-feira (29) uma nova unidade de saúde para auxiliar nos atendimentos após a determinação da Justiça que proibiu o encaminhamento de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) para o setor de urgência e emergência do Hospital Beneficência Portuguesa. A Unidade de Retorno Assistencial (URA), que deve começar a operar nos próximos dias, irá receber casos mais leves para ajudar a absorver a demanda da Beneficência junto com Hospital das Clínicas, Santa Casa e Santa Lydia. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp Segundo Silva, o local vai funcionar como uma espécie de triagem, recebendo pacientes com suspeita de internação. Ele será instalado na Rua Minas e administrado pela Fundação Santa Lydia, que já administra as unidades de pronto atendimento (UPAs) do município. "A gente criou uma estrutura nova, a URA. Essa unidade já estamos colocando para funcionar nos próximos dias. Atendimento médico e enfermagem para aqueles casos em que há suspeita de internação, mas não é consolidado ainda e também não há segurança para alta. Criamos a URA para dar vazão, porque esse é um gargalo, a questão de internação, mesmo sendo regulação do estado, acaba recaindo nas costas da prefeitura toda essa situação de organização", disse o prefeito, em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo. Outros detalhes sobre a estrutura foram divulgados durante uma coletiva de imprensa também na manhã desta sexta-feira. De acordo com o prefeito, os pacientes chegarão à URA após encaminhamento das UPAs. Haverá na unidade médicos 24 horas, equipes de enfermagem para estabilizar, medicar pacientes e tomar outras eventuais medidas. "Esse é o modelo que nossa Secretaria de Saúde pegou de modelos, inclusive, da Alemanha. A situação de paciente que chegam a uma UPA, ele tem uma situação em que o médico pode decidir pela internação, porém há uma dúvida se é uma internação ou se ele pode voltar para casa, mas não há segurança do médico em dar alta. Nessa questão intermediária, o paciente é encaminhado para a URA." O chefe do Executivo explicou, ainda, que se depois desse primeiro momento na URA, for constatado que o paciente realmente precisa de internação, daí, sim, ele será transferido para um dos hospitais. Já o secretário municipal de Saúde de Ribeirão Preto, Maurício Godinho, reforçou que o objetivo da nova unidade é desafogar os hospitais e que vai se tornar um serviço definitivo na cidade. "A ideia é que a gente tire [dos hospitais] pacientes em situações intermediárias, pacientes que ficam em situação de limbo entre internação e alta. O paciente faz atendimento na UPA, é estabilizado, tem seu diagnóstico, recebe alta da UPA com encaminhamento para a URA. Esse encaminhamento é programado, ele [paciente] pode retornar em 24 ou 12 horas, como a equipe julgar melhor. Lá, ele pode repetir exames, ser medicado. A ideia é que a maior parte desses pacientes tenha alta definitiva e poucos precisem de internação", cita. O prefeito de Ribeirão Preto, Ricardo Silva, em coletiva de imprensa para anunciar medidas na Saúde após suspensão de atendimentos na Beneficência Portuguesa Fernando Gonzaga LEIA TAMBÉM Hospitais de Ribeirão Preto alertam para risco de superlotação após suspensão de atendimentos de emergência na Beneficência Conversa com a Beneficência e possíveis outras medidas Durante a coletiva, o prefeito destacou que, após a decisão da Justiça em suspender os atendimentos na Beneficência Portuguesa, reuniu-se com representantes da unidade para ajudar na regularização dos problemas que levaram à suspensão (veja abaixo as falhas). Ricardo Silva também garantiu que os repasses financeiros da prefeitura aos hospitais estão em dia. "A gente já colocou toda a estrutura da prefeitura para amparar a Beneficência, que é um hospital centenário. Estamos em dia com todos os pagamentos com eles, rigorosamente em dia, tanto as questões de urgência e emergência como também casos eletivos. Não há nenhum dia de atraso em repasses com nossos hospitais." Diante da situação, Silva não descartou que a administração municipal adote outras medidas administrativas, caso a Beneficência não regularize a situação. "A prefeitura não descarta outras medidas administrativas, se assim for necessário, sobre o hospital. Por enquanto, a gente não está colocando isso como nossa prioridade, apesar de estar no horizonte, diante do quadro sério que se apresenta no Hospital Beneficência Portuguesa." O prefeito de Ribeirão Preto, Ricardo Silva Fernando Gonzaga Hospitais alertam para superlotação A determinação da Justiça que proibiu o encaminhamento de pacientes do SUS para o setor de urgência e emergência do Hospital Beneficência Portuguesa gerou um alerta para o risco de superlotação nos outros três hospitais da cidade que vão passar a receber as novas demandas. Serão em média mais 30 pessoas por dia encaminhadas das unidades de pronto atendimento (UPAs) do município para os hospitais. Por outro lado, atendimentos eletivos, como consultas e cirurgias, seguem sendo realizados normalmente na Beneficência. A Fundação Santa Lydia, que também é responsável pelas UPAs de Ribeirão, afirmou que se prepara e deve fazer readequações no hospital e nas unidades de pronto atendimento. "A gente está se adiantando, com a expectativa de que o número de encaminhamentos e internações para esses hospitais aumente. Uma série de detalhes tem que ser pensada, não apenas no aumento do número de leitos, mas também isso, assim como novos profissionais, a redistribuição dos fluxos, de acordo com a gravidade de cada caso. O número de atendimentos nas UPAs se mantém, mas as pessoas aguardando uma vaga hospital tendem a aumentar", diz Rafael Borella, diretor do hospital. Em nota, a Unidade de Emergência do Complexo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HC-UE) informou que manterá o atendimento à rede de urgência e emergência, mesmo diante da possibilidade de aumento da demanda. A instituição ressaltou que atua de forma integrada com as centrais de regulação estadual e municipal e que adota medidas para garantir o encaminhamento dos pacientes. "Ressalta-se que o atendimento na Unidade de Emergência segue os princípios de regulação, hierarquização e regionalização da assistência, de modo a assegurar o uso racional da capacidade instalada e a priorização dos casos de maior gravidade", completou. A Unidade de Emergência do Complexo Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HC-UE) Reprodução/EPTV A Santa Casa, por sua vez, disse que irá contribuir na elaboração de alternativas que garantam a atenção às urgências e emergências da população, mas ponderou que já absorve grande volume de atendimentos e opera em cenário de elevada lotação assistencial. "A Santa Casa permanece aberta ao diálogo e à cooperação, reafirmando que seu compromisso histórico com a população está indissociavelmente ligado à preservação da qualidade assistencial, da segurança do paciente e das condições adequadas de trabalho para médicos, profissionais de enfermagem e demais equipes de saúde", citou. Pacientes de urgência da Beneficência Portuguesa serão encaminhados para outros hospitais Suspensão de atendimentos na Beneficência Portuguesa O remanejamento ocorre em resposta a uma decisão da juíza Lucilene Aparecida Canella de Melo, da 2ª Vara da Fazenda Pública, depois que o Ministério Público ajuizou uma ação civil pública apontando irregularidades graves e persistentes no Hospital Beneficência Portuguesa. Os problemas foram apontados pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) e pela Vigilância Sanitária e não foram corrigidos mesmo após autuações, segundo o MP. Entre eles estão: ausência de enfermeiro em locais no hospital em que são desenvolvidas atividades de enfermagem; superlotação, com pacientes mantidos em macas nos corredores ou internados por até cinco dias na unidade à espera de vagas; ausência de quartos exclusivos com antessala para isolamento de pacientes com bactérias multirresistentes; falhas na anotação de responsabilidade técnica; diferença entre o setor destinado a convênios e o destinado ao SUS, em condições inferiores. Diante disso, a Justiça estabeleceu um prazo de 90 dias para que o hospital tome as providências necessárias, entre elas reorganize salas para garantir distanciamento mínimo entre leitos, disponibilize uma equipe multiprofissional completa de acordo com a demanda, assegure condições para permanência de acompanhantes e comprove o início das obras de adequação de um projeto arquitetônico aprovado pela Vigilância Sanitária. Nesse período, a juíza determinou que o município e o estado de São Paulo se abstenham de encaminhar pacientes para a urgência e a emergência da Beneficência. Em nota encaminhada à EPTV nesta quarta-feira (28), a Beneficência Portuguesa de Ribeirão Preto informou que a ação civil pública se refere, exclusivamente, ao Setor de Pronto Atendimento SUS, por conta da necessidade de adequações estruturais. "O hospital possui projeto aprovado pela Vigilância Sanitária e está adotando as providências necessárias para viabilizar sua execução. A assistência prestada no Pronto Atendimento SUS vem sendo realizada em conformidade com as diretrizes médicas atuais, com avaliações periódicas satisfatórias das metas qualitativas e quantitativas, face à contratualização com a Secretaria Municipal da Saúde. Em determinados períodos, há aumento da demanda assistencial em razão da regulação de pacientes pelo SUS, situação que vem sendo enfrentada com o empenho das equipes". A instituição informou também que mantém diálogo permanente com a Secretaria da Saúde e está estruturando um plano conjunto para assegurar a continuidade da assistência aos usuários do SUS. "Os demais serviços do hospital seguem funcionando normalmente, incluindo internações, cirurgias, atendimentos ambulatoriais, convênios e particulares". Fachada do Hospital Beneficência Portuguesa em Ribeirão Preto, SP Reprodução/EPTV Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

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