cover
Tocando Agora:

Nove cidades da região recebem imigrantes e refugiados acima da média mesmo com baixa estrutura para acolhimento

Nove cidades da região recebem imigrantes e refugiados acima da média com baixa estrutura Nove cidades da região administrativa de Campinas (SP) receberam, d...

Nove cidades da região recebem imigrantes e refugiados acima da média mesmo com baixa estrutura para acolhimento
Nove cidades da região recebem imigrantes e refugiados acima da média mesmo com baixa estrutura para acolhimento (Foto: Reprodução)

Nove cidades da região recebem imigrantes e refugiados acima da média com baixa estrutura Nove cidades da região administrativa de Campinas (SP) receberam, de janeiro de 2025 a abril de 2026, imigrantes e refugiados acima da média regional no período mesmo tendo baixa ou muito baixa estrutura para acolhimento dessas pessoas. O levantamento foi feito pelo g1 com base na Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic), realizada em 2024 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e em uma metodologia do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), da Universidade de Brasília (UnB). Ao Munic, todas as prefeituras do Brasil tiveram de responder perguntas sobre as suas políticas públicas para acolhimento de imigrantes e refugiados. Essas cidades foram avaliadas por 14 critérios — leia mais abaixo. Quanto mais respostas positivas — ou seja, indicando que possuem a estrutura —, mais bem avaliada é a capacidade do município, conforme o OBMigra. Hortolândia (SP), Indaiatuba (SP), Limeira (SP), Paulínia (SP), Piracicaba (SP), Santa Bárbara d'Oeste (SP), Sumaré (SP), Valinhos (SP) e Vinhedo (SP) foram avaliadas como de muito baixa ou baixa capacidade institucional para recebimento de refugiados e imigrantes. Mesmo assim, entre 2025 e 2026, elas receberam número de aprovações de residência para refugiados e imigrantes maior que a média regional — o procedimento é feito pela Polícia Federal. A média anual da região no período é de 83 residências por cidade. Imagem de arquivo de imigrantes venezuelanos em Campinas Bárbara Félix Brambila/G1 Em nota, as prefeituras informaram as suas estruturas para acolhimento. Algumas cidades, como Valinhos e Hortolândia, destacaram avanços em políticas públicas desde a realização do Munic, em 2024. Já Paulínia, Santa Bárbara d'Oeste e Vinhedo ressaltaram que, embora não tenham estruturas específicas para refugiados e imigrantes, são adotadas medidas por meio da rede socioassistencial que acabam cumprindo o acolhimento desse público. Clique na cidade e veja o posicionamento completo. Indaiatuba, Limeira, Piracicaba e Sumaré não responderam até a última atualização desta matéria. Hortolândia Paulínia Santa Bárbara d'Oeste Valinhos Vinhedo A coordenadora-geral do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), Amarilis Busch Tavares, comentou que a avaliação não tem como objetivo comparar municípios, mas, sim, pode mensurar "o quanto é possível evoluir" e desenvolver políticas públicas. "Não é algo específico do interior de São Paulo. A gente vê que as capacidades migratórias do Brasil como um todo são bastante desiguais. Temos muito a evoluir em todos os municípios brasileiros, e eu acho que a contribuição desses municípios menores vai ser super importante nesse processo", ponderou. Metodologia Imagem de arquivo de imigrantes participando de curso no Ceprocamp (Centro de Profissionalização de Campinas) Reprodução/EPTV Durante o Munic, as prefeituras tiveram de responder 14 perguntas sobre instrumentos de gestão migratória: Há alguma cooperação entre a cidade e os demais entes da federação para promoção e desenvolvimento de políticas públicas voltadas a imigrantes/refugiados? Há alguma cooperação entre a cidade e os organismos internacionais para promoção e desenvolvimento de políticas públicas voltadas a imigrantes/refugiados? Há ações de instituições da sociedade civil para atendimento de imigrantes/refugiados? Há uma política institucionalizada ou uma legislação migratória municipal? Há algum conselho, comitê ou outra instância de participação social de imigrantes/refugiados? Há uma associação ou coletivo da população imigrante/refugiada que se relacione com a Prefeitura? Há curso permanente de língua portuguesa visando acessibilidade linguística? Há atendimento multilíngue nos serviços públicos? Há abrigos para acolhimento de imigrantes/refugiados? Há algum Centro de Referência e Atendimento ao Imigrante? São oferecidas formações e capacitações para imigrantes/refugiados? Há cadastro da assistência social com inclusão de imigrantes/refugiados? Há programas habitacionais que incluem imigrantes/refugiados? Há programas ou iniciativas de combate ao preconceito contra imigrantes/refugiados? De acordo com a metodologia do OBMigra, quanto mais respostas positivas a essas perguntas, maior é a capacidade do município de receber refugiados e imigrantes. Além disso, o observatório criou uma classificação com base no número de "sim" para os critérios. De zero a dois critérios positivos: muito baixa capacidade institucional para recebimento de refugiados e imigrantes; De três a cinco critérios positivos: baixa capacidade institucional; De seis a oito critérios positivos: média capacidade institucional; De nove a 11 critérios positivos: alta capacidade institucional; De 12 a 14 critérios positivos: muito alta capacidade institucional. Com base nessa metodologia, o g1 fez um levantamento das 49 cidades das microrregiões de Campinas e de Piracicaba. Dessas, 47 são classificadas como muito baixa ou baixa capacidade institucional. As exceções são Campinas, com média capacidade institucional, e Americana, com alta capacidade institucional. Além disso, dos 47 municípios classificados como muito baixa ou baixa capacidade, nove tiveram 81 ou mais aprovações de residência a imigrantes e refugiados — o número corresponde à média regional por cidade de janeiro de 2025 a abril de 2026. Confira abaixo o levantamento. Refugiados e imigrantes: estruturas e quantidade por cidade Obstáculos De acordo com a professora de sociologia da UnB e pesquisadora do OBMigra, Tânia Tonhati, o resultado das cidades da região é esperado porque o tema só passou a ser debatido nos últimos anos com a intensificação de alguns movimentos migratórios. "A maioria [das cidades] não tem estruturas. A única cidade mais estruturada, que sempre teve essa discussão, é São Paulo. Porque, historicamente, é uma cidade que mais recebeu imigrantes, né? É uma cidade que não teve períodos que não recebeu. Ela sempre vem tendo a chegada de imigrantes", comentou. A pesquisadora ainda ressaltou que o acolhimento a refugiados e imigrantes é feitos, em grande parte, por organizações da sociedade civil (OSCs) ou organizações não-governamentais (ONGs) — muitas delas relacionadas às igrejas. Grupo de voluntários auxilia refugiados na região de Campinas Reprodução / EPTV Já Amarilis afirmou que outros fatores fazem com que esses grupos fiquem no Brasil: existência de comunidade já instalada, independência financeira, acesso ao mercado de trabalho e aprendizado da língua portuguesa. O enraizamento de comunidades podem ajudar os municípios menores a desenvolver políticas públicas. "O enraizamento nessas cidades com índices baixos contribui também para a melhoria desses índices", pontuou. "Às vezes você tem um município muito pequeno que não tem uma política migratória própria, não tem instrumentos firmados, mas que existe ali, na sociedade, um ímpeto, um ânimo de se voluntariar, de participar desse processo de integração", completou. Avanços necessários Afegãos acampados no Aeroporto Internacional de Guarulhos em agosto de 2023 Reprodução/TV Globo Amarilis lembrou que, em 22 de junho deste ano, o governo federal criou a Política Nacional de Migrações, Refúgio e Apatridia (PNMRA). A iniciativa se deu após afegãos ficarem acampados no saguão do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos (SP), à espera de vagas em abrigos. Nesta terça-feira (30), uma capacitação foi realizada com OSCs credenciadas ao Ministério da Justiça e Segurança Pública visando um melhor acolhimento. A ideia, a partir de agora, é fomentar políticas públicas nas cidades, inclusive naquelas de menor porte, já que a existência de estruturas favorece a permanência de imigrantes e refugiados no Brasil. "Os municípios pequenos podem receber com bastante qualidade. O acesso aos serviços públicos, por exemplo, é muito mais facilitado, tem muito menos fila. A gente tem os grandes centros com estrutura maior, mas é interessante que a gente possa começar a espalhar essas capacidades", comentou Amarilis. Por sua vez, Tânia ressaltou que a iniciativa precisa partir das prefeituras e lembrou que pode haver uma nova onda migratória partindo da Venezuela por conta do terremoto que destruiu parte do país. "Isso, a princípio, sim, é uma iniciativa da própria municipalidade. Talvez, com a política nacional de migração, isso surja como recomendação. A gente sabe que não é uma exigência, mas pode ser uma recomendação", afirmou. Equipes de resgate trabalham no local de um complexo de edifícios que desabou após os terremotos de 24 de junho, em La Guaira, Venezuela REUTERS/Ricardo Arduengo O que diz a Prefeitura de Hortolândia A Prefeitura de Hortolândia recebe o levantamento do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra) como uma importante ferramenta para diagnóstico e aperfeiçoamento das políticas públicas voltadas à população migrante e refugiada. Embora o município tenha sido classificado com baixa capacidade institucional, a Administração Municipal destaca que vem desenvolvendo ações para fortalecer o acolhimento e o atendimento dessa população, considerando o aumento da demanda observado nos últimos anos. Entre as iniciativas em andamento está a elaboração de uma cartilha multilíngue destinada a orientar imigrantes e refugiados sobre seus direitos, serviços públicos disponíveis e formas de acesso à rede municipal de atendimento. O material tem como objetivo ampliar a acessibilidade às informações e facilitar a integração dessa população ao município. Além disso, Hortolândia participa de reuniões intersetoriais que reúnem diferentes áreas da administração pública e instituições parceiras, com o objetivo de construir estratégias conjuntas e qualificar o atendimento prestado aos imigrantes e refugiados. A proposta é fortalecer a articulação entre os serviços, promover a troca de experiências e identificar oportunidades de aprimoramento das políticas públicas existentes. A Prefeitura reforça seu compromisso com a inclusão social, os direitos humanos e a garantia de acesso da população migrante aos serviços públicos municipais, trabalhando continuamente para aperfeiçoar sua estrutura de acolhimento e atendimento. O que diz a Prefeitura de Paulínia A Prefeitura de Paulínia atua para garantir o atendimento e o acolhimento de todas as pessoas em situação de vulnerabilidade social que procuram a rede municipal, independentemente de sua nacionalidade ou condição migratória. Os serviços municipais estão preparados para prestar o suporte necessário, dentro de suas competências, assegurando o acesso às políticas públicas disponíveis. No momento, a cidade não possui nenhum tipo de programa assistencial específico para refugiados, uma vez que a cidade conta com uma baixa procura desse tipo de atendimento, mas a Secretaria de Assistência Social, avalia continuamente suas ações e busca aprimorar a oferta dos serviços públicos. O que diz a Prefeitura de Santa Bárbara d'Oeste A Prefeitura de Santa Bárbara d’Oeste informa que o atendimento à população imigrante e refugiada no município ocorre de forma intersetorial, por meio da atuação integrada de diferentes secretarias e serviços públicos, garantindo o acesso às políticas públicas disponíveis para toda a população. Os imigrantes são incluídos no Cadastro Único, o que possibilita o acompanhamento pela rede socioassistencial por meio dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS). Além disso, têm acesso garantido aos serviços da rede municipal de Saúde e à Educação. O município também apoia iniciativas voltadas à integração dessa população. Entre as ações desenvolvidas estão a cessão de espaços das bibliotecas municipais para a realização de cursos de português promovidos por entidades da sociedade civil e o apoio institucional a organizações que acompanham e prestam atendimento aos imigrantes. Em 2025, a Administração Municipal sancionou e promulgou a lei que declarou de utilidade pública uma associação da comunidade haitiana instalada no Município, fortalecendo a atuação da entidade junto à população que representa. No mesmo ano, Santa Bárbara d’Oeste também aderiu ao Pacto pelo Trabalho Decente para Imigrantes nas regiões de Campinas e Piracicaba, iniciativa desenvolvida em conjunto com a Justiça do Trabalho para ampliar a inclusão e a proteção dessa população no mercado de trabalho. Em relação ao levantamento citado, a Prefeitura ressalta que a classificação considera critérios específicos da pesquisa e não contempla, necessariamente, todas as ações desenvolvidas pelo Município no atendimento à população imigrante e refugiada. A Administração Municipal segue atuando para fortalecer a integração entre as políticas públicas e ampliar as iniciativas voltadas ao acolhimento e à inclusão social desse público, em parceria com instituições e entidades da sociedade civil, assegurando o acesso dessa população aos serviços públicos essenciais. O que diz a Prefeitura de Valinhos Considerando a atual conjuntura, avaliamos os avanços que o município obteve, desde a coleta de informações em 2024, para garantia dos direitos e atendimentos à população refugiada e migrante. Por meio dos Centros de Referência de Assistência Social, são assegurados o referenciamento e a acolhida desta população, com a inclusão nos Programas de Transferência de Renda, Benefícios Eventuais, Documentação Pessoal, elaboração de currículos, informações sobre vagas de trabalho, em parceria com o PAT, informações e encaminhamentos para a inclusão das crianças e adolescentes na rede de ensino, creches, no Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos e acompanhamentos que se fizerem necessários, diante da demanda apresentada por cada família. O Município de Valinhos considera de extrema relevância o desenvolvimento e oferta de ações voltadas para a população refugiada e migrante. Para tanto, tem buscado alternativas e iniciativas desenvolvidas por outros municípios e em âmbito nacional, para aplicação na realidade local. A equipe de Gestão da Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação participou do 26º Encontro do CONGEMAS – Colegiado Nacional de Gestores de Assistência Social realizado em Fortaleza, onde um dos eixos tratou do aprimoramento do trabalho desenvolvido com a população refugiada e migrante. Por meio dos dados extraídos do sistema informatizado IDS Social, no mês de julho/2026, o município possui 382 (trezentas e oitenta e duas) famílias estrangeiras cadastradas nos serviços de Assistência Social. Os 04 (quatro) CRAS do município ofertam tanto os atendimentos individuais, quanto os grupos voltados especificamente para essa população. A recepção dos serviços contam com estagiários de Ensino Médio que são membros das famílias atendidas, dando oportunidade de aprendizado para os adolescentes e também visando romper a barreira linguística nos atendimentos. Após identificadas, as famílias são inseridas nas Políticas setoriais disponíveis, sendo: SUAS na Secretaria de Desenvolvimento Social e Habitação, SUS na Secretaria de Saúde, Política Educacional e etc. O que diz a Prefeitura de Vinhedo Quanto à existência de conselho para atendimento de imigrantes: não há conselho específico, os imigrantes e suas demandas estão inseridos nos Conselhos Municipais como CMAS, CMDCA, CMI, CMPCD, CMDCV e outros, de acordo com o segmento que atende a demanda específica. Vinhedo conta com Abrigo Institucional para Famílias, Indivíduos em situação de Vulnerabilidade, que pode acolher também imigrantes ou refugiados. Não há Centro de Atendimento Específico, os Imigrantes são atendidos nos CRAS e no CREAS que atende a população em geral. Para atender as demandas nos CRAS ofertamos grupos e ações coletivas específicas para os Imigrantes do território atendido. Oferecemos também todo suporte a documentação como orientações e direcionamento para a regularização migratória e renovação de vistos junto aos órgãos competentes. Os Imigrantes são atendidos nos programas habitacionais oferecidos para a população em geral. Nos Centros de Referência da Assistência Social, esse tema é tratado em grupos e ações coletivas. Baseado nos Dados do CadÚnico, referência maio de 2026, residem em Vinhedo 269 pessoas Imigrantes. Sendo 143 vindos da Venezuela, 91 do Haiti e 35 de outros países. No desenho da rede socioassistencial da cidade, a prefeitura adota o princípio da universalidade do atendimento. Isso significa que, embora não exista uma estrutura ou órgão de atendimento exclusivo para imigrantes, essa população possui acesso pleno a todos os serviços existentes. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

Fale Conosco