Idoso com dor abdominal cai de maca em hospital de Campinas e fica desacordado após sofrer traumatismo craniano, diz família
Idoso cai durante internação, sofre traumatismo craniano e é internado em UTI de Campinas A família de João Teixeira, de 78 anos, afirma que o idoso sofreu...
Idoso cai durante internação, sofre traumatismo craniano e é internado em UTI de Campinas A família de João Teixeira, de 78 anos, afirma que o idoso sofreu traumatismo craniano após cair de uma maca enquanto aguarda por uma cirurgia de vesícula no Hospital Mário Gatti, em Campinas (SP), no início de janeiro. Segundo as netas, ele estava lúcido ao ser internado, mas, após a queda, precisou passar por cirurgia craniana e está desacordado desde o procedimento - entenda abaixo. A Secretaria de Saúde de Campinas disse que abriu uma investigação interna nesta terça-feira (20) e que o paciente segue internado na UTI, recebendo o suporte necessário. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Campinas no WhatsApp De acordo com o relato das netas Letícia Paliota e Thamires Teixeira, o atendimento do idoso começou no Hospital Ouro Verde, também em Campinas, no fim de dezembro, após episódios recorrentes de dor abdominal. Depois de vários retornos e sem conseguir um ultrassom na unidade, um exame particular identificou uma inflamação na vesícula. O idoso foi levado ao Hospital Mário Gatti em 3 de janeiro, onde foi confirmada a necessidade de cirurgia, mas por falta de leitos foi encaminhado a uma ala sem permissão de acompanhantes. As netas afirmam que souberam da queda no dia 6, depois que o avô já havia passado pela cirurgia craniana. Elas chegaram a registrar um boletim de ocorrência no dia 11 e alegam que houve demora para prestar socorro ao idoso. Problemas para conseguir ultrassom João Teixeira, de 78 anos, sofreu traumatismo craniano após cair de maca enquanto aguardava cirugia de vesícula no Hospital Mário Gatti, em Campinas (SP), segundo a família. Arquivo pessoal Letícia conta que a família procurou atendimento inicial no Hospital Ouro Verde porque o avô sentia fortes dores abdominais. Segundo ela, a família foi ao hospital três vezes, mas eram mandados para casa sem realizar exames. "Depois de idas e vindas, a gente conseguiu um pedido para fazer um ultrassom, mas a gente não sabe porque esse ultrassom não foi feito lá, foi feito um raio-x. Não foi constatado nada, mas por ele ainda continuar com dor, a gente pediu para fazer o exame no particular, para a gente pagar. Ele chegou a desmaiar de dor, tinha alguma causa", relata Letícia. Depois de pagar pelo exame, foi constatado que João estava com a vesícula biliar inflamada e precisava de cirurgia com urgência. Internação sem acompanhante Segundo a família, João deu entrada no Hospital Mário Gatti no dia 3 de janeiro, consciente e conversando, para que a vesícula fosse operada. Por falta de leitos, o idoso foi direcionado à ala vermelha, setor onde acompanhantes não são autorizados. A neta Thamires afirma que a família insistiu para permanecer com ele, mas foi impedida. “A gente tentou de todas as formas ficar acompanhando por ele ser um senhor de idade, de 78 anos, ter o direito garantido por lei, [mas] a gente foi impedido”, relatou. Ainda de acordo com a família, o idoso não pôde ficar com celular, o que dificultava o contato. Divergências sobre o horário da queda Durante a visita do dia 5 de janeiro, as netas afirmam ter percebido que João estava sonolento. “Quando a gente entrou, o nosso avô estava conversando, mas ele estava grogue. Parecia muito sonolento, mais devagar”, contou Thamires. As netas perguntaram o motivo da sonolência e foram informadas pela equipe que havia sido administrado clonazepam. Elas então questionaram o uso da medicação, alegando que o avô era uma pessoa muito calma: “Falaram que era um remédio pra dormir, sem muita explicação”, relata Thamires. A família só teria sido informada da queda no dia 6 de janeiro, após ser chamada ao hospital enquanto o avô já estava em cirurgia. Segundo Letícia, a confirmação veio somente após o procedimento. “A gente só teve a informação da queda depois da cirurgia… o médico falou que o avô tinha caído da maca, que tinha batido a cabeça e sofrido um traumatismo muito sério”, narrou. As netas afirmam que encontraram informações conflitantes entre os prontuários médico e de enfermagem aos quais tiveram acesso. Prontuário médico: informava queda ocorrida por volta de 1h do dia 6 de janeiro, e que a equipe teria sido acionada às 6h do mesmo dia. Prontuário de enfermagem: informava que a queda tinha ocorrido no dia anterior, 5 de janeiro, entre 19h30 e 20h. Letícia afirma que as informações dos prontuários "são absurdas" e reclama que o avô teria ficado horas sem assistência adequada. “A cirurgia só aconteceu ao meio-dia… Ele ficou todo esse tempo sangrando, provavelmente com dor", afirma. Estado de saúde atual Segundo Thamires, após a cirurgia, o avô não acordou mais: João foi retirado da sedação e o eletroencefalograma mostrou pouca atividade cerebral. Atualmente, de acordo com a família, ele permanece na UTI com traqueostomia e ventilação mecânica. "E sem previsão, sem perspectiva se ele vai acordar ou não... Se ele acordar, como vai ser a situação dele quando ele acordar... É muita incerteza. Para a gente, é muito difícil. O nosso sentimento é de impotência. A gente o deixou lá para ser cuidado, e receber de volta dessa forma, é difícil", afirma Thamires. O que diz a Rede Mário Gatti? Em nota, a Rede Mário Gatti de Urgência, Emergência e Hospitalar informou que abriu uma investigação para apurar o caso de João. O caso foi encaminhado nesta terça-feira para a comissão de ética médica e de enfermagem, que vai apurar eventuais falhas e, se for o caso, as responsabilidades. O paciente segue na UTI recebendo o suporte necessário. A rede também disse que não são permitidos acompanhantes no Pronto-Socorro e na UTI. O acompanhante só é permitido no momento da visita. Sobre o atendimento no Ouro Verde, informou que o aparelho de ultrassom está funcionando normalmente e que aguarda informações detalhadas do paciente e nome do médico para averiguar a informação da família. Fachada do Hospital Mário Gatti, em Campinas (SP). Reprodução/EPTV VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e Região Veja mais notícias sobre a região na página do g1 Campinas.