Em evento com Tarcísio, Haddad afirma que Sabesp foi vendida ‘em mesa de amigos’; já governador apoia privatização e diz focar 'em resultado'
Os pré-candidatos ao governo de SP Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), durante evento da Veja Reprodução/YouTube O pré-candidato do ...
Os pré-candidatos ao governo de SP Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), durante evento da Veja Reprodução/YouTube O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, criticou nesta segunda-feira (15) o processo de privatização da Sabesp, empresa de saneamento básico paulista, realizada pela gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em evento promovido pela revista "Veja" e com a presença do próprio Tarcísio, Haddad afirmou que a empresa foi vendida à iniciativa privada "em uma mesa de amigos”, com critérios “opacos e sem transparência”. Um pouco antes, o governador paulista havia defendido a privatização da companhia e afirmado que ela foi necessária para preservar a capacidade de investimento da companhia, acelerar a universalização do saneamento e antecipar as metas previstas no Marco do Saneamento (leia mais abaixo). De acordo com o ex-ministro da Fazenda, "quando a gente critica a privatização da Sabesp, é porque a gente abriu mão de R$ 3,7 bilhões na segunda etapa da privatização". "Em nome do quê fizemos isso? Por que nós canalizamos a concessão para uma empresa só, acrescentando cláusulas que afastavam outros investidores? Foram três cláusulas acrescentadas para afastar investidores e ficou na mão de um”, disse. “E, para piorar, depois de vender para um só dos interessados, que obviamente ofereceu o preço que lhe convinha, porque não tinha concorrente, ainda vendeu para amigos. Para pessoas escolhidas numa mesa, com critérios absolutamente opacos e sem transparência”, declarou. Cresce número de reclamações da Sabesp no Procon A declaração foi dada após uma pergunta sobre os governos petistas serem contrários às concessões. Segundo o petista, a gestão atual do presidente Lula concedeu mais rodovias à iniciativa privada do que a administração anterior, de Jair Bolsonaro (PL), que tinha Tarcísio de Freitas como ministro da Infraestrutura. “Eu não lido com ideologia. Lido com aritmética. (...) O ministro Renan Filho concedeu mais rodovias [para a iniciativa privada] do que o Tarcísio, quando era ministro. E eu não estou falando de 10%, 20%. Foi o triplo. Três vezes mais. E ele teve que rever quase todas as concessões de rodovia do governo anterior [Jair Bolsonaro] porque os contratos estavam todos tendo que ser revistos, com acompanhamento do Tribunal de Conas da União”, declarou. “Nós temos que tentar evitar a ideologização do debate e ir para os fatos concretos. Foram bilhões de reais na concessão de ferrovias sem pagamento de outorga. O que queriam que a gente fizesse? Lutasse pelo interesse público ou desse dinheiro para os empresários?”, afirmou. O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), pré-candidato ao governo de SP, em evento da revista Veja em São Paulo, nesta segunda-feira (15). Reprodução/GloboNewes Em entrevista coletiva após a participação no evento, Haddad foi questionado se pretende reestatizar a Sabesp e afirmou que o tema deve ser tratado com "muita seriedade" porque, em geral, "quem vende patrimônio público amarra no contrato um série de cláusulas que impedem muitas vezes uma revisão". "Tenho que analisar com a área jurídica todas as consequências. Agora, o que eu posso posso garantir é que o Tarcísio prometeu diminuir a conta de água. Está todo mundo vendo que era uma mentira. Se foi má-fé ou erro técnico, nós vamos apurar. Quem está financiando os investimentos é o consumidor, inclusive pagando duas vezes pela manutenção", afirmou. O petista disse também que vai rever outros contratos da gestão Tarcísio, como o Muralha Paulista e aditamento da Linha 6-Laranja do metrô. O que disse Tarcísio O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, durante evento da revista Veja, nesta segunda-feira (15). Reprodução/GloboNews A fala do petista foi feita logo depois que Tarcísio discursou no evento. Minutos antes, o governador, que disputa a reeleição, foi questionado sobre as críticas à privatização da empresa e afirmou que "o pessoal leva sempre para o lado da política; a gente está focando em resultado". Segundo Tarcísio, os efeitos da medida já podem ser observados em regiões da Grande São Paulo. Ele citou como exemplo o município de Guarulhos, que, de acordo com os dados apresentados por ele, passou de 2% de tratamento de esgoto em 2019 para 45% atualmente, com expectativa de atingir 78% até o fim deste ano. Ao comentar a resistência de parte da população às privatizações, Tarcísio afirmou que o debate costuma ser contaminado por questões ideológicas e defendeu que os resultados práticos sejam o principal critério de avaliação. "Ideologia e aritmética são dois valores que não se misturam", disse. Durante a entrevista, Tarcísio também fez críticas ao governo do presidente Lula: "Perda de oportunidade, não vai deixar saudades". Segundo o governador, o Brasil está desperdiçando oportunidades estratégicas por falta de visão de longo prazo e capacidade de execução. Sem citar medidas específicas da atual gestão, ele disse que o país permanece preso a "impasses do século XX" enquanto deixa de aproveitar vantagens competitivas em áreas como biocombustíveis, transição energética, segurança alimentar e economia do conhecimento.