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'Ele era mais são-paulino do que torcedor da seleção', diz filho de Benedito Ruy Barbosa

Benedito Ruy Barbosa morre aos 95 anos O dramaturgo e escritor Benedito Ruy Barbosa, velado nesta terça-feira (7) em São Paulo, era apaixonado por futebol e t...

'Ele era mais são-paulino do que torcedor da seleção', diz filho de Benedito Ruy Barbosa
'Ele era mais são-paulino do que torcedor da seleção', diz filho de Benedito Ruy Barbosa (Foto: Reprodução)

Benedito Ruy Barbosa morre aos 95 anos O dramaturgo e escritor Benedito Ruy Barbosa, velado nesta terça-feira (7) em São Paulo, era apaixonado por futebol e tinha no São Paulo Futebol Clube sua maior paixão esportiva. A lembrança é do filho, Ruy Maurício Barbosa, que resumiu a relação do pai com o esporte: "Ele era mais são-paulino do que torcedor da seleção". Considerado um dos maiores nomes da teledramaturgia brasileira e autor de novelas como Pantanal e O Rei do Gado, Benedito morreu nesta terça devido a complicações de insuficiência renal crônica. A paixão pelo futebol acompanhou Benedito durante toda a vida. Antes de se tornar um dos principais autores da dramaturgia brasileira, trabalhou como jornalista esportivo e escreveu o livro "Eu sou Pelé", publicado em 1961. A biografia, lançada em 1961, narra a vida do Rei do futebol em primeira pessoa. O livro retrata a infância de Edson Arantes do Nascimento, mostrando o período em que ele sonhava em se tornar aviador e trabalhava como engraxate para ajudar a família. Maurício Ruy Barbosa, filho de Benedito Van Campos/AgNews Segundo Ruy Maurício, o pai vivia as partidas de forma intensa e deixava transparecer toda a emoção como torcedor. "Ele era muito nervoso. Ficava bravo, xingava. Era extremamente passional, emocionado", contou durante o velório. Apesar da preferência pelo São Paulo, Benedito também vibrava com a seleção brasileira. O futebol, segundo o filho, ocupou um espaço importante em sua trajetória muito antes do sucesso na televisão. Foi durante a carreira no jornalismo esportivo que Benedito viveu um episódio que, por muito tempo, o próprio filho acreditou ser exagero. O escritor dizia ter sido o único jornalista presente na Vila Belmiro no dia em que Pelé chegou ao Santos para participar do primeiro treino. "Eu sempre achei que aquilo era mentira. Falava: 'Você estava na Vila Belmiro quando o Pelé chegou?'. Até que um dia encontrei o Álvaro José, que me contou a mesma história, do ponto de vista do pai dele, que era editor do jornal em que meu pai trabalhava", relembrou. Depois de confirmar o relato, Ruy Maurício disse que ligou para o pai para pedir desculpas. "Eu falei: 'Pai, desculpa. Era verdade'." "Ele viveu essa parte da vida com muita intensidade. E a são-paulinidade dele era muito grande", afirmou. Legado Benedito Ruy Barbosa TV Globo Conhecido por verdadeiras sagas, o dramaturgo construiu histórias que atravessam o universo rural brasileiro, exploram a diversidade cultural, com interesse especial na imigração italiana, e apresentam amores intensos. Seu legado inclui tramas icônicas como "Meu Pedacinho de Chão" (1971), "Pantanal" (1990), "O Rei do Gado" (1996) e "Terra Nostra" (1999), marcadas por protagonistas de "bom caráter, determinação para a luta, crença em valores positivos", como o próprio determina. O mais velho entre cinco irmãos, Ruy Barbosa nasceu em Gália, no interior de São Paulo, em 1931, e passou a infância na vizinha Vera Cruz, uma região de cafezais habitada por imigrantes japoneses e italianos. Com a morte precoce do pai, precisou trabalhar desde cedo para ajudar a família. Ao longo da juventude, trabalhou como auxiliar em uma firma comercial, vendedor de verduras e faxineiro, até conseguir um emprego como revisor no jornal "Estado de S. Paulo". O gosto pela escrita levou Benedito a criar seu primeiro romance, "Fogo Frio", que foi adaptado para o teatro e premiado pela Associação Paulista dos Críticos de Arte, começo de sua trajetória como roteirista. A história do autor que mais retratou o mundo rural nas novelas Sua estreia na televisão aconteceu em 1966, com "Somos Todos Irmãos", na TV Tupi. Nos anos seguintes, passou por emissoras como Excelsior, Record e TV Cultura. Em 1971, escreveu "Meu pedacinho chão", novela produzida por uma parceria da Cultura com a Globo e exibida por ambas. Cinco anos depois, assinou com a Globo, onde deu início a uma sequência de sucesso na faixa das 18h. Nessa época, adaptou o romance de Ribeiro Couto em "Cabocla" (1979). Em 1990, ao se transferir para a TV Manchete, Benedito escreveu "Pantanal", que inovou ao utilizar locações externas e explorar a cultura e os mistérios do bioma brasileiro. Autor Benedito Ruy Barbosa João Miguel Júnior/TV Globo Com o sucesso, retornou à Globo para escrever "Renascer" (1993), trama ambientada no interior baiano e marcada pelo duelo de gerações do coronel José Inocêncio. Ambas seriam refilmadas décadas depois, escritas por seu neto, Bruno Luperi. Com "O Rei do Gado" (1996), Benedito abordou a rivalidade entre duas famílias de imigrantes italianos, enquanto discutia temas como a posse de terra e a reforma agrária. Já em "Terra Nostra" (1999), retratou o drama dos italianos Matteo e Giuliana, separados ao chegarem ao Brasil no início do século XX. Ruy Barbosa também revisitou suas próprias obras. Em 2006 e 2014, assinou as refilmagens de "Sinhá Moça" e "Meu Pedacinho de Chão". Na versão cheia de cores da segunda obra, declarou que finalmente conseguiu colocar no ar ideias que a Censura havia barrado na primeira versão, durante a ditadura militar. Em 2016, escreveu "Velho Chico", ambientada na fictícia cidade de Grotas do São Francisco, no sertão nordestino. A novela trouxe um embate de gerações e a disputa por terra e poder no interior do Brasil. "Antes de mais nada, uma novela precisa ter uma grande história de amor", definiu Benedito Ruy Barbosa em depoimento ao Memória Globo. Benedito Ruy Barbosa Reprodução/TV Globo

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