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Como implante de bomba de morfina mudou vida de homem em tratamento contra câncer: 'Foi como tirar a dor com a mão'

Antônio Marcos Lessi tem câncer ósseo e faz tratamento no Ambulatório da Dor do Hospital de Amor de Barretos, SP Hospital de Amor de Barretos Antônio Marco...

Como implante de bomba de morfina mudou vida de homem em tratamento contra câncer: 'Foi como tirar a dor com a mão'
Como implante de bomba de morfina mudou vida de homem em tratamento contra câncer: 'Foi como tirar a dor com a mão' (Foto: Reprodução)

Antônio Marcos Lessi tem câncer ósseo e faz tratamento no Ambulatório da Dor do Hospital de Amor de Barretos, SP Hospital de Amor de Barretos Antônio Marcos Lessi tem 36 anos e há três foi diagnosticado com Condrossarcoma, um tipo de câncer ósseo que se origina nas células da cartilagem e causa dores tão intensas que, por muito tempo, o impediam de fazer as tarefas mais básicas do dia a dia. "Eu não podia ficar sentado quase nada e a sensação era estar sentado em cima de um caroço. Não dava para encostar em nenhum banco de madeira ou cadeira de encosto de madeira. Só conseguia dormir de lado ou de bruços. Era muito complicado". Por um ano e meio, Marcos fez uso de medicamentos, morfina e metadona para poder aliviar um pouco o desconforto que sentia, mas, ainda assim, ele afirma que nada que usava parecia dar resultado. ✅Clique aqui para seguir o canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp "A dor era insuportável e, quando tomava remédio, demorava para fazer efeito no organismo. Tomava e só dali uma hora, uma hora e pouquinho diminuía muito pouca coisa. Tomava dipirona a cada quatro, seis horas mais ou menos. Era muito comprimido". Veja os vídeos que estão em alta no g1 Marcos fazia tratamento no Hospital de Amor de Barretos (SP) e conviveu com as dores intensas por um ano e meio. LEIA TAMBÉM Mãe e filha contam como lidam com síndrome que eleva chances de câncer Do diagnóstico à cura: como gerente de vendas em Ribeirão Preto descobriu câncer raro a partir de dor no pescoço Conheça a história da adolescente que teve recuperação milagrosa após enfrentar câncer e AVC Além dos remédios, ele também utilizou injeções no período. Até que os médicos vieram com uma alternativa: um implante de bomba de morfina. O paciente foi um dos primeiros a testar o tratamento. E deu certo. "Ia ser experimental. Pela primeira vez, uma pessoa [do Hospital de Amor] ia ter essa bomba de morfina implantada. No meu caso, se enquadrava bem na questão. Fizemos o teste com a morfina sendo aplicada via raquiana e foi excelente. Foi como tirar a dor com a mão, foi imediato, bem instantâneo". O paciente Antônio Marcos Lessi tem câncer ósseo e fez implante de bomba de morfina no Hospital de Amor de Barretos, SP Hospital de Amor de Barretos A bomba de morfina foi implantada por meio de um cateter fino na medula espinhal de Marcos. Ela tem a dose que o paciente precisa por pelo menos quatro meses e é recarregável. Os ajustes de medicação são feitos a cada nova visita ao Ambulatório da Dor do Hospital de Amor. "Sou outra pessoa. Me veem na rua e 'nossa, você está com um semblante bom, aparenta estar bem melhor', ficam felizes com essa evolução do quadro. Já que a gente não pode tirar o tumor, pelo menos pode conviver com ele de forma que não afete minha vida social, não afete minha vida particular". Antônio Marcos Lessi, que faz tratamento no Ambulatório da Dor do Hospital de Amor de Barretos (SP), e a esposa Josiane Venancio Arquivo pessoal Ambulatório da dor O Ambulatório da Dor surgiu a partir de uma ideia da equipe multidisciplinar do Centro Especializado em Reabilitação do Hospital de Amor para tratar - ou pelo menos controlar -, principalmente, dores oncológicas. De acordo com o neurocirurgião oncológico Ismael Lombardi, do Hospital de Amor, até 40% dos pacientes oncológicos sofrem com dores intensas por conta dos mais variados tratamentos de câncer. O que é oferecido ali é personalizado, mesmo porque, cada paciente é único. "Além do tratamento farmacológico, tem bloqueios, radiofrequência, terapias integrativas, fisioterapia, fisiatria. A gente vê quais pacientes se aplicam a quais alternativas. Cada caso é um caso e todos eles precisam ser estudados. O que funciona para um não funciona para outro". Ao g1, a anestesiologista Margareth Kath Lucca, especialista em medicina chinesa no Centro Especializado do Hospital de Amor, em Barretos, disse que o Ambulatório da Dor foi criado para atender pacientes em tratamento ou já livres da doença, mas que ainda enfrentam dores crônicas. "Foi criado o hospital de cuidados paliativos, onde tem uma grande assistência ao paciente terminal, e muito bem assistido, mas ficava ainda uma lacuna para o paciente que, às vezes, já estava livre da doença, e permanecia com dor em decorrência do tratamento, ou pela quimioterapia ou pelas cirurgias realizadas durante o tratamento. Esses pacientes transitavam aqui no hospital e o fator dor era uma coisa constante". Salas de atendimento do Ambulatório da Dor, do Hospital de Amor de Barretos (SP) Hospital de Amor de Barretos Segundo ela, ao olhar especialmente para estes casos, a equipe se mobilizou para criar um espaço onde fosse possível diminuir o sofrimento da pessoa que sofre com dor. No Ambulatório da Dor são oferecidas terapias integrativas e complementares, como são chamados os protocolos. "A gente conseguiu oferecer um tratamento multimodal, que tem vários modelos para tratar. Você não tem somente um modelo medicamentoso, mas também tem o modelo de bloqueios da dor, como o tratamento intervencionista da dor a nível de centro cirúrgico, a colocação das bombas de morfina de longa permanência. Você consegue dar um atendimento diferente e com resultados diferentes, onde essas pessoas conseguem ter a alta, conseguem voltar, serem incluídas novamente na sociedade, tendo qualidade de vida, que é a grande busca de todos nós". As terapias ainda incluem técnicas de acupuntura, aromaterapia, cromoterapia, musicoterapia. A anestesiologista Margareth Kath Lucca, especialista em medicina chinesa no Centro Especializado do Hospital de Amor, em Barretos (SP) Hospital de Amor de Barretos De acordo com o Hospital de Amor, em 2024 foram realizados 2.198 atendimentos para 315 pacientes no Ambulatório da Dor. De janeiro a outubro de 2025, foram 1.728 atendimentos para 323 pacientes.  Os encaminhamentos para o Ambulatório da Dor, ainda de acordo com o hospital, são indicados pelos próprios médicos responsáveis pelo tratamento oncológico, a partir das consultas regulares de acompanhamento. Entre janeiro e outubro de 2025, foram realizados 1.728 atendimentos para 323 pacientes no Ambulatório da Dor, do Hospital de Amor de Barretos (SP) Hospital de Amor de Barretos Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

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