Atleta brasileira que morreu no Ironman Texas tem autópsia inconclusiva nos EUA; traslado do corpo ainda não tem data
Atleta brasileira morre durante prova de natação do Ironman no Texas A atleta brasileira Mara Flávia Araújo, de 38 anos, que morreu no último sábado (18) ...
Atleta brasileira morre durante prova de natação do Ironman no Texas A atleta brasileira Mara Flávia Araújo, de 38 anos, que morreu no último sábado (18) durante a etapa de natação do Ironman Texas, nos Estados Unidos, teve a autópsia considerada inconclusiva, ou seja, o exame inicial não conseguiu determinar com precisão a causa da morte, segundo a família informou ao g1 nesta quinta-feira (23). Segundo a irmã dela, Melissa Araújo, o corpo de Mara já foi liberado, mas ainda não há previsão para o traslado ao Brasil. "Enviaram exames para análise e pode demorar semanas para termos o resultado. O corpo foi liberado e está em processo de checagem de documentação. Tem muita burocracia com consulado, vigilância sanitária dos países. Ainda sem previsão para traslado. Mas o consulado está nos apoiando com o que está ao alcance deles", afirmou. Mara Flávia morava em São Paulo e participou de provas de triatlo por cerca de 10 anos. O corpo dela foi encontrado três horas após seu sumiço (veja mais abaixo). ''Senti o corpo dela com meu pé' Atleta brasileira Mara Flávia Araújo morre durante competição Reprodução/Instagram Um voluntário norte-americano que participou do resgate de Mara descreveu nas redes sociais momentos de pânico, medo e buscas intensas na água após ela desaparecer no último sábado (18) durante a prova de natação do Ironman Texas, nos Estados Unidos. Em um relato dramático no seu perfil do Facebook, Shawn McDonald contou que chegou a sentir o corpo da atleta com o pé durante as tentativas de localizá-la. “Depois de um minuto debaixo de água, senti o corpo dela com o meu pé. Eu surgi, respirei o que parecia ser a respiração mais profunda que já respirei e voltei a descer. Ela tinha desaparecido. Não sei como descrever o que senti. Eu tentei outra vez. E outra vez. E outra vez.” Segundo ele, o desaparecimento aconteceu rapidamente, diante de outros competidores e voluntários, o que gerou desespero generalizado. “Quando cheguei lá e perguntei o que tinha acontecido, todos disseram a mesma coisa: ela submergiu aqui mesmo. O pânico e o medo nas caras deles não me vão deixar por muito tempo.” Shawn conta que estava no local com a filha de 12 anos, voluntariando com uma prancha de remo para auxiliar atletas durante a prova. A manhã, que começou com clima de celebração, mudou de forma abrupta após um pedido de socorro. “Perdemos um atleta do Ironman nesta manhã na natação. É difícil escrever. Estou compartilhando isso porque espero que, de alguma forma, ela encontre o caminho de volta para a família e que lhes traga até uma pequena medida de conforto sabendo que as pessoas que não a conheciam deram tudo o que tinham para salvá-la.” Leia também Companheiro faz carta emocionante para atleta brasileira morta no Ironman Texas: 'Com você eu tive tudo' Quem era Mara Flávia, atleta que morreu durante etapa de natação do Ironman Texas, nos EUA Ele relata que, ao perceber a emergência, pediu espaço entre os nadadores e chegou ao ponto indicado em poucos segundos. “Um grupo de voluntários mais jovens num caiaque no lado mais distante do campo estava levantando uma bandeira, soprando um apito, gritando por ajuda. Dezenas de atletas estavam entre nós e eles. Eu podia ver nadadores agarrados ao caiaque. Ouvi-los dizer que ela tinha afundou. Pedi à Mila [ filha] para me dar o remo e comecei a chamar os atletas à nossa volta para que eu pudesse atravessar. Cheguei até lá em 30 segundos.” A partir daí, começaram os mergulhos sucessivos na tentativa de encontrá-la. “Mergulhei imediatamente e comecei a procurar. Outro jovem voluntário, possivelmente um nadador-salvador, começou a mergulhar comigo.” Shawn McDonald contou que chegou a sentir o corpo da atleta com o pé durante as tentativas de localizá-la Reprodução/Facebook Mesmo após a chegada de embarcações com sonar, ele continuou tentando. “Quando os barcos com sonar chegaram e identificaram um alvo, eu mergulhava naquela área. Nunca me passou pela cabeça que ela já tinha morrido havia muito tempo. Continuei a procurar como se fosse puxá-la viva.” Shawn afirma que foi orientado a sair da água quando equipes especializadas assumiram as buscas. “Me pediram para sair da água quando as equipas de mergulho começaram a chegar. Eles recuperaram o corpo dela logo depois das 9h da manhã.” No relato, ele também destacou a dedicação da atleta e lamentou a espera da família na chegada da prova. “Ela tinha entrado naquela água perseguindo algo que a maioria das pessoas só sonha em terminar. Ela treinou para isso. Ela apareceu para isso. Ela mereceu sair disso.” “O que mais me parte o coração é imaginar a família dela na costa, observando-a sair da água e montar a bicicleta. Atualizando o aplicativo. Esperando a posição dela atualizar. Nunca aconteceu. Nunca a viram sair.” Ao final, ele deixou uma mensagem aos familiares da brasileira. “O nome dela era Mara e era do Brasil. Ela era o mundo inteiro de alguém. Para a família dela: fizemos tudo o que podíamos. Eu sinto muito profundamente que não tenha sido o suficiente. Ela vai ficar comigo.” Atleta brasileira morre durante etapa de natação do Ironman Texas, nos EUA Morte durante a competição Em entrevista à emissora local KPRC 2 News, o chefe do Corpo de Bombeiros de The Woodlands, Palmer Buck, afirmou que a vítima foi localizada por equipes de resgate por volta das 9h do sábado (horário local), após cerca de uma hora e meia de buscas no Lake Woodlands, próximo ao Northshore Park. Segundo Buck, a operação começou após o relato de um “nadador desaparecido” durante a prova. Inicialmente, as equipes atuaram em uma tentativa de resgate, mas a ação foi convertida em operação de recuperação após a identificação da vítima. “A vítima foi encontrada a cerca de 3 metros de profundidade, no fundo do lago”, afirmou o chefe dos bombeiros em entrevista à KPRC 2 News. Ainda segundo ele, uma equipe de mergulho foi acionada após a localização do ponto provável, já que a visibilidade subaquática foi descrita pelos bombeiros como "zero". O corpo foi retirado da água por volta das 9h30 e levado até a margem, onde a morte foi constatada no local. atleta brasileira Mara Flávia Araújo, que morreu durante a etapa de natação na prova Ironman 70.3 Texas, nos EUA Reprodução/Instagram De acordo com as autoridades, um integrante da equipe de apoio da prova relatou ter visto um nadador submergir durante a etapa de natação, o que motivou o acionamento imediato das equipes de emergência. O Corpo de Bombeiros informou que havia embarcações de apoio já posicionadas no lago para acompanhar a prova, o que permitiu o início rápido das buscas. Mesmo assim, os socorristas enfrentaram dificuldades operacionais, como a presença de outros nadadores e embarcações na água durante a competição. Nas redes sociais, a organização da competição confirmou a morte e lamentou o ocorrido. "Estamos tristes por confirmar a morte de uma participante da corrida durante a parte de natação do triatlo IRONMAN Texas de hoje. Enviamos as nossas mais sinceras condolências à família e amigos da atleta e vamos oferecer-lhes o nosso apoio à medida que passam por este momento tão difícil. Nosso agradecimento vai para os socorristas pela ajuda", publicaram. Organização da prova informou sobre morte de atleta Reprodução/Facebook Quem era Mara Flávia Atleta Mara Flávia morreu durante competição nos EUA Reprodução/Instagram A atleta brasileira tinha 58 mil seguidores nas redes sociais e compartilhava sua rotina de treinos. Formada em jornalismo e marketing, Mara Flávia se apresentava como "prova viva da mudança". Em uma publicação, afirmou que começou a carreira aos 18 anos, vendendo espaço de propaganda em uma rádio na cidade de São Carlos, no interior de São Paulo, onde também apresentava um programa de esportes radicais. Ela se mudou para a capital paulista, onde trabalhou com comunicação social e mídia. Foi em São Paulo, após o diagnóstico de um problema de saúde, que passou a investir no esporte, tornando-se, em 2019, triatleta. Em 2022, relatou nas redes sociais que havia conquistado a terceira colocação no Triatlo Brasília, vencido duas edições do GP Brasil e obtido duas classificações mundiais para o 70.3.